Economia

A nova Dubai: João Pessoa valoriza 4,4 vezes mais que Balneário Camboriú

 

O mercado imobiliário de João Pessoa atravessa um ciclo de valorização acima do registrado em destinos litorâneos já consolidados. Em maio de 2026, o preço médio dos imóveis residenciais na capital paraibana chegou a R$ 8,2 mil por metro quadrado, com alta de 9,15% em 12 meses. No mesmo período, Balneário Camboriú avançou 2,94% e atingiu R$ 15,2 mil por metro quadrado. Isso significa que os preços em João Pessoa cresceram em ritmo 3,1 vezes maior, embora o metro quadrado ainda seja aproximadamente 46% mais barato. A diferença tem atraído novos projetos e investidores, especialmente para unidades compactas, segunda residência, hotelaria e locação por temporada. Entre os movimentos recentes está a criação da HiDo Sinergy, formada pela Hi Holding, controladora do Grupo Hi, e pela IDo Holding, que inicia as atividades com 5 empreendimentos, cerca de R$ 200 milhões em investimentos e Valor Geral de Vendas estimado em R$ 350 milhões.

O avanço dos preços não está relacionado apenas à procura por imóveis. João Pessoa combina mais de 30 quilômetros de praias urbanas, clima quente durante a maior parte do ano, arborização e uma legislação que restringe a altura dos edifícios na orla. Nos primeiros 500 metros da faixa costeira, as construções seguem um escalonamento que começa em 12,90 metros e chega a 35 metros, o que limita a quantidade de novas unidades próximas ao mar. A regra ajuda a preservar ventilação, insolação e paisagem, mas também reduz a disponibilidade de terrenos em áreas mais disputadas. “João Pessoa reúne elementos que passaram a ter maior peso na decisão de compra, como qualidade urbana, segurança, clima, proximidade do mar e preservação da orla. Ao mesmo tempo, ainda apresenta valores inferiores aos observados em outros mercados litorâneos”, afirma Isaelson Oliveira, CEO do Grupo Hi e sócio da HiDo Sinergy.

A região também recebe investimentos em infraestrutura turística e mobilidade. O Polo Turístico Cabo Branco prevê a instalação de resorts, parques temáticos e equipamentos de lazer, enquanto o Centro de Convenções Poeta Ronaldo Cunha Lima ampliou a realização de congressos, feiras e eventos corporativos na capital. A BR-230 passa por intervenções de ampliação e modernização, e a Ponte do Futuro deverá conectar Cabedelo, Santa Rita, Lucena e a BR-101, facilitando o acesso ao litoral norte. Esse conjunto de obras ajuda a explicar por que o crescimento começa a alcançar municípios vizinhos. Cabedelo, por exemplo, passou a receber mais empreendimentos residenciais, hoteleiros e de segunda moradia, especialmente em regiões como Intermares. “A valorização imobiliária costuma acompanhar mudanças na infraestrutura e no fluxo de pessoas. Quando uma região melhora suas conexões, amplia o turismo e recebe novos serviços, outras áreas passam a participar do desenvolvimento que antes se concentrava na capital”, analisa Isaelson Oliveira.

A carteira inicial da HiDo Sinergy é formada pelo Mare Nostrum Residence, Honu Habitat, Hava Residence Club, Boho Flats e Intermares Mar Hotel, localizados entre João Pessoa e Cabedelo. Os projetos incluem propostas residenciais, compactas e hoteleiras, refletindo a diversificação da procura por imóveis na região. Mais do que uma comparação direta com Balneário Camboriú, o atual movimento mostra que João Pessoa deixou de depender exclusivamente do turismo tradicional e passou a atrair interesse como mercado de moradia, hospedagem e renda imobiliária. “O crescimento precisa ser acompanhado por planejamento urbano, mobilidade e preservação dos atributos que tornaram a cidade atraente. A expansão imobiliária só permanece sustentável quando melhora a relação entre os novos projetos e a qualidade de vida da população”, conclui Isaelson Oliveira.

Assessoria de Comunicação

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