Aqui, elas não ganham menos do que os homens

Em franchising, um sistema que exige dedicação, foco e disciplina para seguir padrões, mulheres se saem muito bem e dão conta de dirigir diversas lojas. Franqueadoras de segmentos distintos contam por que gostam de ter empreendedoras à frente de suas unidades franqueadas
Um dos grandes pilares da desigualdade entre mulheres e homens no mercado de trabalho é que, ainda, ocupantes do mesmo cargo ganham salários diferentes quando pertencem a sexos diferentes. Pois é, elas ainda ganham menos do que eles. Isso, porém, não acontece no sistema de franchising, no qual homens e mulheres são investidores e investidoras que administram seus negócios sob a bandeira e a formatação de uma determinada marca. “O desempenho de um franqueado ou franqueada varia conforme sua capacidade gerencial, sua dedicação, seu foco, seu conhecimento e, com grande peso, sua capacidade comercial e nunca está relacionado ao seu sexo”, diz Melitha Novoa Prado, consultora jurídica especializada em redes de franquia, que acompanha o sistema de franchising há quase 25 anos. Ela arrisca dizer, inclusive, que existem inúmeras redes nas quais as mulheres são top da rede em faturamento. “E, em diversas outras, são os casais que ocupam o topo da lista”.
Lidar com mulheres, segundo franqueadores, também é mais fácil. “Eles comentam que suas franqueadas são mais organizadas e aceitam seguir padrões com mais facilidade, sem deixar a criatividade e o empenho de lado. Franqueadores, sem dúvida, adoram trabalhar com mulheres”, finaliza Melitha.
Num sistema no qual as mulheres não ganham menos do que os homens e, ainda, são donas do próprio nariz, marcas como Lig-Lig, Restaura Jeans, Container Segurança, Anjos Colchões, Direito de Ouvir, Arranjos Express e WSI explicam como é a atuação de franqueadas em suas redes, para compartilharem o segredo de seu sucesso:
 
Acolhimento é prioritário em empresa 90% feminina
A Direito de Ouvir – rede de franquias especializada em venda, manutenção e suporte técnico de várias marcas de aparelhos auditivos, pilhas e outros acessórios – é uma empresa prioritariamente feminina. “Podemos dizer que 90% das pessoas que trabalham na empresa são mulheres e que 100% das nossas franquias têm ao menos uma mulher na equipe”, quantifica o franqueador Frederico Vaz Guimarães Abrahão.
Segundo ele, isso se deve à tradição de, no Brasil, a fonoaudiologia ser exercida predominantemente por mulheres. “Só na franquia de Belém (PA), temos um fonoaudiólogo”, informa.  Para ele, a mulher é mais acolhedora – uma característica fundamental para que o negócio dê certo – e também mais detalhista, o que facilita a indicação e o ajuste correto dos aparelhos. “Atendemos muitos idosos e pessoas com mais de 50 anos. E o acolhimento é prioritário para que o idoso confie no profissional”, diz.
Ainda que nem sempre o franqueado Direito de Ouvir exerça a fonoaudiologia, são as fonoaudiólogas – de acordo com Abrahão – as maiores responsáveis pela comercialização de aparelhos auditivos. “É a fono que identifica o aparelho ideal para cada caso, ajusta e negocia. É preciso ser amável para vencer a barreira da resistência ao uso da prótese”, explica o franqueador. Para abrir uma franquia Direito de Ouvir, o investimento inicial é a partir de R$ 175 mil, com um capital de giro entre R$ 18 mil e R$ 45 mil.
Container Segurança - Logo
Mulheres têm atuação marcante em negócio típico do universo masculino
A Container Segurança – rede que loca containeres almoxarifados, módulos habitáveis (escritório, dormitório, refeitório, vestiário etc.), banheiros e outros equipamentos para obras, indústrias, residências, reformas e até eventos – é uma empresa cujo negócio pode ser considerado típico do universo masculino. E, apesar de apenas 15% dos franqueados serem mulheres, a atuação delas é bastante relevante na rede. É o que assegura o diretor de franquias Daniel Carvalho.  “As mulheres cuidam da inteligência do negócio, fazem contratos, administração, parte financeira, de cobrança e gestão. E deixam para os homens o trabalho de campo, mais operacional, da entrega de mercadorias”, analisa Carvalho.
Assim, elas – que são mais detalhistas e pacientes – cuidam prioritariamente da cobrança, emissão de boletos e outras atividades administrativas. “Elas são mais comunicativas na gestão, têm um relacionamento mais próximo com a franqueadora e até nos ajudam a aprimorar o sistema online”, explica.
Segundo ele, muitos franqueados Container Segurança são casais, o que possibilita que cada um use suas melhores características em prol do negócio. “Normalmente, percebemos que são elas que dão o aval para o negócio de franquia ser fechado”, afirma. Para abrir uma franquia da Container Segurança, é preciso ter apenas um funcionário e fazer um investimento inicial de cerca de R$ 23 mil, o que inclui a carreta reboque e um lote de container.
                                                            
Proximidade com cliente e transparência tornam franqueadas bem-sucedidas na rede
A Anjos Colchões – uma das empresas do Grupo Anjos do Brasil, que fabrica e vende colchões de alto padrão – tem cerca de 70% de sua rede encabeçada por franqueadas mulheres. “Elas são mais sérias, comprometidas e transparentes. O perfil gerencial da mulher é muito bom para o negócio”, analisa o franqueador Claudinei dos Anjos.
Para ele, quando uma mulher se compromete com o negócio, as chances de sucesso são muito grandes. “Principalmente as mulheres de mais de 30 anos, que são mais maduras”, reflete. Ele dá o exemplo de uma franqueada da cidade de Bauru (SP) que, sozinha, já está na terceira franquia. “Elas sabem atender a necessidade do cliente, fazem amizade, criam vínculo”, afirma o franqueador.
“Além disso”, destaca, “elas têm mais facilidade de ouvir a franqueadora e atuar de acordo com o que a empresa propõe para o negócio”. Para abrir uma franquia, o investimento inicial é a partir de R$ 65 mil, sendo o faturamento mensal médio de cerca de R$ 60 mil.
Mulheres se identificam com o negócio e tocam o dia-a-dia das lojas
Para Flávio Conrad, franqueador da Restaura Jeans – rede composta por 216 lojas e pontos licenciados em todo o Brasil, que oferece serviços como tingimento, costura, customização, lavanderia e também cuidados com acessórios de couro – as mulheres se identificam muito com o negócio da rede. Prova disso é que quase 65% das franqueadas da Restaura Jeans são mulheres. Mas, essa identificação não é porque historicamente a mulher fez serviços domésticos, mas sim porque elas têm um senso estético mais apurado, preocupam-se com a aparência e em manter as pessoas alinhadas. “Elas parecem ter mais autoridade para dizer como a roupa vai ficar, para dar uma opinião” considera Conrad.
Segundo ele, as mulheres se saem muito bem quando estão presentes no cotidiano das lojas. “Elas acabam até vendendo mais, pois parecem ter uma alegria em atender, mais disposição e uma simplicidade maior para resolver problemas, encontrar soluções, tocar o negócio e falar com o cliente”, diz.
Para ter uma franquia da Restaura Jeans, é necessário um investimento inicial de R$ 100 mil, 2 a 4 funcionários e uma área mínima de 50m2. O retorno do investimento é projetado em 24 meses.
Intuição aguçada e calma para tomar decisões são características positivas das mulheres
As franqueadas da WSI – franquia canadense que é líder mundial em marketing de Internet, presente em 80 países, inclusive no Brasil – têm um desempenho tão bom quanto o dos franqueados da rede. “Entre os nossos franqueados de maior receita, alguns são mulheres”, informa o máster-franqueado do Brasil, Marcos Paulo Perfeito (foto). De 20 a 25% dos franqueados da rede são mulheres, com performance parecida com a dos homens.
A diferença, diz Perfeito, está na atitude. “As mulheres são mais emotivas, mais cuidadosas, mais detalhistas. Elas trazem o cliente para mais perto, têm mais facilidade no atendimento”, considera. Como o negócio da WSI vai além da tecnologia, ele acredita que a mulher pode usar o que chama de “intuição aguçada” a seu favor. “É uma forma de pensar com mais calma, o que traz perenidade ao negócio. Essa intuição aguçada ajuda a fechar negócios”, pondera.
Ele destaca também o senso estético. “Elas são apegadas à beleza e trazem isso para o ambiente digital. Não olham apenas para a funcionalidade, mas para o design, a estética do ambiente, o que acaba melhorando o produto final”, avalia. Para tornar-se um franqueado WSI, investe-se entre US$ 50 mil e US$ 70 mil.
Foco na operação traz resultados positivos
A Lig-Lig – especialista em culinária chinesa – tem franqueadas que estão na rede há quase vinte anos, desde o início do modelo de franquias. “Naquela época, tornar-se franqueada era um desafio: significava largar sua profissão para apostar em um novo negócio”, reconhece o franqueador Thomas Liu. Hoje, 30% da rede estão nas mãos de mulheres.
 “As mulheres se mostram melhores na operação. Elas põem a mão na massa, fazem acontecer e isso gera resultado”, explica Liu.  Segundo ele, a franqueada ouve mais, dá mais atenção à franqueadora, e presta atenção ao que o cliente final está pedindo, com o que ele chama de “percepção mais refinada”. E, completa, quando percebe que há algo a ser mudado, não titubeia e realiza as mudanças necessárias. “A forma de falar, de conduzir com mais naturalidade, é típica da mulher. O homem é mais incisivo e, às vezes, isso assusta”, considera Marco Sanches, diretor executivo.
Na opinião dele, a mulher consegue se adaptar imediatamente a diferentes realidades e tem uma reação rápida a elas, sem perder a delicadeza. “A mulher, quando se depara com um problema, para e analisa antes de decidir”, conclui Sanches. O investimento inicial em uma franquia Lig-Lig é a partir de R$ 290 mil, com um lucro esperado de 15% do faturamento bruto.
 
 
Senso estético ajuda franqueadas a serem bem-sucedidas
Na Arranjos Express – rede de franquia portuguesa especialista em realizar serviços têxteis com alta qualidade, desde pequenos reparos até customização – 98% das franquias são gerenciadas por casais, com participação ativa das mulheres no negócio. “Nós vendemos um projeto de vida, no qual os próprios franqueados dinamizam o negócio. Por isso, é muito comum termos casais à frente de nossas unidades”, explica o franqueador Paulo Alexandre.
Em sua opinião, a mulher tem uma sensibilidade diferenciada para o negócio. “Ela se envolve mais na questão da moda, no conceito do negócio, que vai além dos reparos e se foca na questão da customização e transformação das roupas”, acredita. Para o franqueador, a palavra-chave do desempenho das mulheres na rede é criatividade. “Elas precisam de imaginação para trazer o diferencial ao negócio”, considera.
Já os homens cuidam das questões financeiras e econômicas das unidades. “É essa mistura que faz o sucesso da rede”, afirma Alexandre. Para ser um franqueado Arranjos Express, é preciso um investimento inicial de R$ 97 mil e o faturamento médio mensal do franqueado gira em torno de R$ 30 a R$ 50 mil.
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