Lançamento de livro-catálogo marca a passagem do terceiro aniversário do registro da Feira de Campina Grande como Patrimônio Cultural do Brasil

A Feira Central de Campina Grande foi reconhecida, no dia 27 de setembro de 2017, pelo Instituto de Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil no livro de Lugares, atendendo ao Decreto 3.551 de 2000, que institui o registro de bens culturais de natureza imaterial que constituem Patrimônio Cultural Brasileiro. Este registro, que agora comemora o seu terceiro aniversário, legitima a garantia de políticas de fomento a salvaguarda de bens que foram registrados como patrimônio e que correm o risco de desaparecer.

Para marcar a passagem da data, será lançado neste domingo, dia 27, o livro-catálogo “Coisas de Mei de Feira”, sendo este tipo de produção um dos elementos para política de Salvaguarda de um bem nacional.

De acordo com Giovanna de Aquino Fonseca Araújo, organizadora da obra e integrante do Comitê Gestor para salvaguarda da Feira de Campina Grande, a publicação do livro-catálogo é de grande valia para feirantes e fregueses que frequentam a Feira Central, uma vez que possibilita a informação e a localização de quase tudo que existe neste lugar.

A publicação apresenta-se nos formatos físico e digital (e-book), tendo recursos audiovisuais uma vez que possibilita aos leitores a experiência da musicalidade inspirada na Feira, pois traz, na sua contracapa, em QRCode a canção “Feira Central”, de autoria do músico e intérprete Edmar Miguel.
“Coisas de mei de feira” apresenta classificações de produtos e serviços comercializados no mercado central com contatos dos comerciantes, como são conhecidos, localizações, e o que comercializam. Apresenta também ricas ilustrações que foram desenhadas a mão em grafite, pela arte educadora Márcia Menezes a partir de referenciais fotográficos, além de versos poéticos que marcam a abertura de cada capítulo da escritora e cordelista Juliana Doronin.

Em setembro de 2017, praticamente um ano após o registro da feira como patrimônio cultural, o IPHAN realizou Fórum de Salvaguarda oportunidade em que foi iniciado o cadastro dos feirantes no banco de dados que iria compor o catálogo.

Outra fonte de dados foi o relatório dos participantes no evento para classificação desses dados, conforme o relatório de atendimento do SEBRAE, bem como a plataforma digital do projeto “Bom é na feira”, organizado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, além cadastro virtual realizado, em dois momentos, por meio de links editados em formulário gerado pelo google forms.

Além destas fontes, foram utilizados os cartões de visita de alguns feirantes e foi realizado cadastro pessoalmente na feira central por cadastradores voluntários. As expressões culturais do coco de roda, repente, cordel e roda de capoeira que acontecem na feira, também foram contempladas na publicação.

Para o levantamento dos artistas e ativistas culturais contou-se com a ajuda do idealizador e produtor cultural do Dia do Rojão, Fredi Guimarães.
“Agradecemos a todos os colaboradores citados na ficha técnica, e especialmente ao IPHAN Superintendência do estado da Paraíba por financiar a publicação deste material que não é apenas publicitário e comercial, mas também um recurso descritivo dos bens culturais que a feira central dispõe’, destacou Giovanna de Aquino.

Relevante esclarecer que diante da pandemia ocasionada pela Covid-19, e a impossibilidade de aglomerações regularizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) não foi possível a realização de atualização de cadastro com todos os comerciantes. Por isso, a publicação apresenta um recorte do quantitativo de feirantes. Trata-se de representação dos variados tipos de comércio existentes na feira central. Em outra oportunidade, será realizada a atualização do cadastro em sua totalidade.

Tão logo a pandemia do novo coronavírus acabe, haverá a distribuição dos exemplares junto aos comerciantes catalogados, oportunidade em que o Iphan e a PMCG estarão apresentando a culminância dos projetos culturais de Salvaguarda iniciados no ano passado e concluídos em 2020.

Importância histórica e cultural da Feira de Campina Grande

São muitos os valores culturais que a Feira de Campina Grande tem, a começar pela origem da própria cidade. Valores culturais hereditários que reúnem gerações de feirantes resistindo a todos os impactos da modernidade e, “driblando” a concorrência, com estratégias de sobrevivência.
A sua ambiência de feira labirinto, promove relações de sociabilidade, trabalho, diversão e lazer. Toda esta diversidade cultural é apresentada no catálogo. São ruas estreitas, reconhecidas como labirintos, que reúnem cerca de 4.400 pontos comerciais, aglomerando aproximadamente 10.000 comerciantes.

Além dos ofícios e modos de fazer, brinquedos de flandres; artesanato de madeira; cestaria de cipó; cocho com pneus velhos, confecção de selas e arreios para cavalos; gastronomia nordestina, remédios naturais, como os lambedores e as ervas, mas também, buchada de bode, doces caseiros, quebra queixo, batata, bolo engorda marido, gelada com pão doce e debulha de feijão verde.

Encontram-se também, expressões culturais, como o cordel, o repente das cantorias de violas, as emboladas de coco, e vocabulário de “mei de feira”. Formas de falar que fazem parte do cotidiano dos que nela convivem. Constatam-se as edificações com valores históricos e arquitetônicos – os famosos prédios Cassino Eldorado e Pau do Meio e os de valores social e cultural – Bares e barbearias remanescentes do antigo “pela porco”.

Contudo vê-se que esses saberes, fazeres e afazeres, num contexto espacial e temporal, fazem da feira livre e central de Campina Grande um bem cultural Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil. Seu crescimento promoveu, na década de 1950, a abertura de ruas para facilitar o acesso e a comunicação com outros setores da cidade e com centros urbanos vizinhos. A partir de então, a Feira foi crescendo em dimensões e em importância local e regional, fortalecendo o caráter de Campina Grande como cidade-mercado. Atualmente, a feira de Campina Grande, na Paraíba, é uma das maiores feiras livres presentes no território brasileiro abrigando um comércio amplo e diversificado.

Melhorias mais recentes

Demonstrando o seu cuidado com o tradicional mercado campinense, a Prefeitura de Campina Grande realizou, recentemente, diversas melhorias no setor, a exemplo da liberação de uma área para estacionamento na rua Carlos Agra. Os motoristas pagam uma taxa de dois reais para fazer uso do espaço, sendo que todos os recursos arrecadados são empregados em serviço de limpeza e de manutenção do mercado. Também encontra-se em processo de conclusão a primeira etapa de recuperação da cobertura do mercado que estava deteriorada. Os lavatórios também foram beneficiados com serviços de recuperação. Além disso, o mercado hoje conta com cem por cento de monitoramento de segurança, pois no local foram instaladas 16 câmaras.

Codecom PMCG

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