Nova linha de transmissão amplia exportação de energia do NE para o Centro-Sul

Em um esforço para mostrar avanços nas medidas de enfrentamento à crise energética, o governo participou no sábado (11) da cerimônia de início das operações de uma linha de transmissão que vai ampliar a capacidade de exportação de energia da região Nordeste para o restante do país.

 

Operada pela Taesa (Transmissora Aliança de Energia Elétrica), a linha de transmissão Janaúba iniciou as operações no dia 1º de setembro, com cinco meses de antecedência em relação ao prazo previsto no contrato assinado em 2015.

O projeto de R$ 1 bilhão tem capacidade para transportar 1,6 mil MW (megawatts), volume suficiente para o consumo de cinco milhões de pessoas. Segundo o MME (Ministério de Minas e Energia), sua inauguração contribui para a segurança energética do país.

A inauguração da linha é parte de uma série de eventos planejada pelo MME para as próximas semanas relacionados a medidas de aumento da capacidade de geração de energia do país, como o início das operações da térmica GNA 1, no Porto do Açu, na região Norte-Fluminense, com capacidade para gerar 1.338 MW.

A intenção é mostrar avanço no enfrentamento à crise diante de críticas em relação à demora na adoção de medidas mais impopulares, como o incentivo à economia de energia -estratégia batizada de negacionismo energético por especialistas do Instituto Clima e Sociedade.

A cerimônia deste sábado será acompanhada pelo ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque e pelos diretores-gerais da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), André Pepitone, e do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), Luiz Carlos Ciocchi.

A linha de transmissão Janaúba foi leiloada em 2015 para ampliar a capacidade de transferência de energia entre o Nordeste e o Centro-Sul, permitindo o maior aproveitamento do parque gerador naquela região, que se desenvolveu nos últimos anos com a construção de usinas eólicas e solares.

O empreendimento conecta os sistemas de transmissão de energia elétrica dos estados da Bahia e Minas Gerais, com duas linhas de transmissão e três subestações, em um percurso de 542 quilômetros de extensão.

Com o agravamento da crise hídrica nas bacias do Centro-Sul, o sistema elétrico deve demandar mais energia do Nordeste enquanto a seca persistir: nesta quinta (9), esta região exportou 8,3 mil MW médios para o restante do país; um ano antes, importou 4,2 mil MW médios.

Considerados a principal caixa d’água do setor, os reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste tinham na quinta 19,33% de sua capacidade de armazenamento de energia. No Nordeste, eram 46,95%.
“Janaúba já nasce com o importante papel de transmitir a energia renovável gerada no Nordeste para o Sudeste e o Centro-Oeste, contribuindo com a mitigação dos efeitos do risco hidrológico e trazendo fôlego e segurança ao Sistema Interligado Nacional”, disse, em nota, o presidente-executivo da Taesa, André Moreira.

A obra consumiu mais de 30 mil metros cúbicos de concreto, mais de 12 mil toneladas de estrutura, mais de 12,5 mil toneladas de cabos condutores. Pela sua operação, a Taesa receberá uma receita anual de R$ 213 milhões.

Em paralelo ao esforço para ampliar a capacidade de geração, o governo lançou na semana passada o Programa de Incentivo à Redução Voluntária do consumo de energia elétrica, que vai vigorar de setembro de 2021 até o final deste ano, concedendo bônus de R$ 50 a cada 100 kWh reduzidos.

Um outro programa voltado para o deslocamento do consumo por grandes indústrias está sendo coordenado pelo ONS, que aguarda propostas de empresas interessadas em receber ressarcimento pela redução da demanda em horários de pico.

Nesta quinta, a Creg (Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética) aprovou a contratação de usinas térmicas para reforçar a recuperação dos reservatórios das hidrelétricas brasileiras também a partir de 2022, alegando que os reservatórios devem iniciar o ano em níveis ainda baixos.

Especialistas do setor temem ainda mais pressão sobre as contas de luz, já que as usinas térmicas tendem a ser mais caras do que fontes renováveis.

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