Você sabia que existem aplicativos feitos só para pessoas não monogâmicas?

Com o avanço do debate sobre relações abertas e não monogamia ética, surgiram aplicativos de relacionamento criados especificamente para pessoas que não se identificam com o modelo tradicional de namoro. Diferentemente das plataformas convencionais, esses aplicativos foram pensados para reduzir ruídos e mal-entendidos, permitindo que limites, acordos e expectativas sejam apresentados logo no primeiro contato.
Entre os aplicativos mais usados por pessoas não monogâmicas estão plataformas como Feeld, Plura, PolyFinda, #Open e MoreThanOne, criadas especificamente para quem busca relações fora do modelo tradicional. Diferentemente dos aplicativos generalistas, essas plataformas permitem que usuários indiquem desde o início se vivem relações abertas, poliamor ou outros formatos não monogâmicos, o que tende a reduzir conflitos logo nas primeiras conversas.
O influenciador Arthur Urso, 37 anos, natural da Paraíba e morador de João Pessoa, afirma que a existência desses aplicativos responde a uma demanda crescente por transparência nas relações. Conhecido por falar publicamente sobre poliamor, ele avalia que muitos conflitos surgem justamente quando as expectativas não estão alinhadas desde o começo. “Quando todo mundo entra sabendo qual é o formato da relação, muita frustração deixa de existir. Não é sobre ter mais opções, é sobre ter clareza”, afirma.
Segundo Arthur, apesar de os aplicativos facilitarem o encontro entre pessoas com valores semelhantes, muitos usuários chegam a essas plataformas sem preparo emocional ou sem entender como a não monogamia funciona na prática. Um erro recorrente, segundo ele, é entrar apenas por curiosidade, sem refletir sobre o que se busca ou quais limites são inegociáveis. “A não monogamia exige mais conversa do que a monogamia. Quando a pessoa não sabe o que quer, qualquer troca vira ruído”, diz.
Outro equívoco frequente é confundir relação aberta com ausência de critérios. Para Arthur, essa leitura distorcida costuma gerar frustração desde os primeiros contatos. “Não monogamia não é bagunça. Continua existindo escolha, consentimento e o direito de dizer não”, afirma. Ele também aponta que omitir informações importantes no perfil, como o tipo de vínculo atual, costuma gerar conflitos rápidos. “Esses aplicativos existem justamente para evitar esse tipo de omissão”, explica.
Ignorar acordos colocados logo no início da conversa é outro fator que costuma desgastar relações iniciadas nesses aplicativos. Segundo o influenciador, quando limites são desrespeitados desde o começo, dificilmente a relação se sustenta. Além disso, ele ressalta que nenhum aplicativo resolve questões emocionais profundas. “O aplicativo aproxima pessoas, mas quem sustenta a relação é a comunicação. Relação aberta exige mais diálogo, não menos”, diz.
Para Arthur Urso, quando usados com clareza e responsabilidade, os aplicativos voltados à não monogamia cumprem o papel de alinhar expectativas e reduzir frustrações. “Eles não prometem relações mais fáceis. Prometem relações mais honestas. Quem entra achando que vai escapar de conversas difíceis geralmente se frustra”, finaliza.
Assessoria de Imprensa




