Menos sal, mais saúde Luiz Carlos Silveira Monteiro (*)

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O consumo de sal pela população brasileira alcança índices alarmantes, aumentando muito os riscos de hipertensão. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que, atualmente, cada brasileiro consome em média 12g de sódio por dia. Isso inclui o sal de mesa e também o sal presente nos alimentos industrializados. O volume é mais que o dobro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). 

A Sociedade Brasileira de Cardiologia avalia que a redução do consumo de sal para a média ideal de 5g/dia pode melhorar a qualidade de vida e reduzir o número de mortes relacionadas à hipertensão. Segundo a instituição, apenas com essa medida será possível reduzir em 15% os óbitos por AVC (Acidente Vasculhar Cerebral) e em 10% as mortes por infarto.

Um acordo recentemente assinado entre o Ministério da Saúde e a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) promete contribuir para reduzir os casos de hipertensão no país. Conforme documento assinado pela Abia, nos próximos quatro anos, as empresas do setor assumem o compromisso de diminuir em até 68% o sódio em laticínios, embutidos e refeições prontas.

Hoje, 24,3% da população brasileira tem hipertensão arterial, segundo o Ministério da Saúde. A doença é mais comum entre as mulheres (26,9%) do que entre os homens (21,3%) e aumenta de acordo com a faixa etária: de 18 a 24 anos, 3,8% têm hipertensão, já entre os brasileiros acima de 65 anos de idade, 59,2% são hipertensos.

Uma notícia divulgada recentemente mostra que o tratamento contra a hipertensão traz excelentes resultados para a saúde pública. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) revelam que o número de pessoas que precisaram ser internadas na rede pública de saúde em decorrência de hipertensão caiu em 25% em dois anos. O número deve ser comemorado e mostra o bom desempenho dos programas públicos de distribuição gratuita de medicamentos, além do aumento do número de empresas que subsidiam a compra de remédios para seus colaboradores. Isso contribuiu para eliminar um dos principais motivos para a desistência do tratamento médico: falta de dinheiro para comprar remédios.

A queda do número de internações é um dos efeitos do amplo trabalho oferecido pelas companhias de assistência farmacêutica, um novo conceito no mercado brasileiro, conhecido no exterior como PBM (Pharmacy Benefit Management). As empresas de PBM vêm cumprindo papel indispensável na implantação de importantes programas de pré-autorização, ativos em mais de 20 mil farmácias brasileiras. Com essa ferramenta, é possível controlar os passos dos medicamentos desde a prescrição da receita pelo médico até a mão do consumidor. Por meio do cartão do beneficiado, a farmácia acessa o sistema autorizador, que faz a checagem online e real time no banco de dados, validando a autorização em segundos, além de garantir o controle do uso dos remédios.

Os avanços conquistados pelo Brasil com a distribuição de medicamentos e a redução de sódio na alimentação representam passos decisivos para melhorar a qualidade de vida da população. Precisamos continuar caminhando em outras frentes, como o fortalecimento de políticas preventivas, que podem ajudar melhorar a qualidade de vida da população, além de reduzir custos da saúde pública e privada. São novos horizontes de um futuro melhor.

(*) CEO da ePharma

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